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Ninguém escolhe

Eu não pedi para ser mulher, sou
Eu não pedi para nascer, nasci
Eu não pedi para sentir frio, senti
Eu não pedi para ter fome e chorar, foi instantâneo 
Eu não pedi minha cor de pele, nem mesmo sabia o que isso poderia significar para algumas pessoas
Não pedi minha altura, nem o mínimo e nem onde eu poderia chegar
Não pude pedir onde eu iria nascer, eu só queria um lar, antes mesmo de saber o que era querer
Não pedi roupas, nem sabia que precisaria de algo para cobrir meu corpo
Ora, nem pedi um corpo, nem mesmo sabia o que era

Fui feita

Apenas feita

E tudo que sei é que estou aqui agora

Ainda sem pedir muita coisa que me acontece

Ainda sem pedir para ser quem eu sou, mas julgada por apenas ser

Faço as escolhas que posso;
Posso não ferir alguém, não o faço
Posso não magoar, farei de tudo para não fazê-lo
Posso não julgar, não julgo
Posso não ter preconceito, mesmo que onde eu viva o "comum" seja tê-lo, mesmo que eu tenha sido ensinada a isso, escolho antes sentir, observar, e entã…

Causos de um notebook

O dia termina. O dia amanhece. Nesse momento está amanhecendo enquanto tem alguém ainda na minha frente. Há algumas horas havia três seres fazendo barulho na casa enquanto a mesma pessoa que está me teclando agora já estava a me teclar. 
Dois deles foram dormir, posso ouvir a respiração de um deles, o maior, humano inclusive, daqui, ele ronca um pouco. O outro, um gato, ouviu o chamado do humano e foi correndo se aconchegar ao lado dele. Ele atende por Gori; às vezes ele me tecla também e com as quatro patas de uma só vez. Rum, duvido algum desses dois humanos me teclar com a destreza do pequeno.
"Ah, os humanos são os seres pensantes" 
Pensantes... Pensam tanto em quê? Talvez seja um jeito de dizer que eles falam demais, só isso. Até dormindo um deles fala aqui, onde já se viu? A humana que está ainda acordada até se assustou, coitada. Preciso contactar alguns modelos de outras casas para saber se isso é normal. Sabe como é né... só para se prevenir.
Apesar dos pesares sei…

Renov(ação)

Para alguns a rotina é o afago que acalenta o cotidiano, traz a paz - tão - desejada por todos, talvez por diminuir a probabilidade de algo dar errado, por saber exatamente, ou quase, o que vai acontecer no dia seguinte.

Infelizmente ou felizmente, sinceramente não sei, a rotina me aparece mais como paredes se fechando, sempre as mesmas coisas, as mesmas paredes e cores, os mesmos ares, onde a maior das incertezas se apresenta como um novo garrafão de água para comprar, uma nova forma de nuvem no céu, a água da torneira que está vindo com mais ou menos cloro, mais ou menos marrom, a nova feira, uma embalagem do produto que sempre usamos que mudou... Eu preciso demais.

E isso não é sobre as pessoas que gostam de rotina, não, super entendo suas necessidades também e talvez eu também esteja a procura da minha rotina mas talvez a rotina que eu procure seja só um pouco mais incerta do que a que conheço.

Talvez a única certeza da qual eu precise seja de que o próximo dia vai ser tão diferen…