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Dê um tempo para si mesma ~ e faça vários nadas

Ano passado foi um ano bem tenso para mim em se tratando de estudos e conquistas. Passei o ano inteiro me esforçando ao máximo para passa...

18.1.18

Então, na verdade eu fui ao cinema assistir Jumanji, pois meu irmão queria e foi minha mãe que me chamou para ir. Chegamos atrasados por questão de minutos e a fila estava imensa, não iria dar tempo nem com os trailers que vêm antes, daí esperamos na fila e pagamos para ver O Touro Ferdinando. O dinheiro mais bem gasto da vida.

Chorei do começo ao fim diante dos acontecimentos na vida do Ferdinando, que acontece a todo tempo e é tão "normal" pros padrões tradicionais conservadores atuais. Digo atuais pois nem sempre foi assim, nem sempre uma vida foi tão banalizada, nem mesmo de um touro. E vim aqui dividir os aprendizados que o doce Ferdinando tem para passar.

  • Escolha não viver o que te faz mal

A gente vive escutando para gente correr atrás do que nos faz bem, do que queremos, mas nem sempre sabemos o que realmente queremos. Em contrapartida, sabemos exatamente, bem do fundo do nosso coração, o que não queremos. Geralmente ignoramos isso porque é mais fácil continuar as coisas do jeito que estão, aliás, as coisas já estão assim há tanto tempo mesmo, né? Mas é tirando as coisas ruins que podemos descobrir o que ansiamos de verdade na vida, é assim que a gente se conhece e acaba descobrindo para que estamos aqui.

  • Preste atenção nas coisas pequenas

A vida é uma correria e isso não é novidade. Até para quem "não está fazendo nada" é difícil prestar atenção, porque a mente continua trabalhando, se culpando, se pressionando, virando a atenção para o que há de negativo ao redor. Você não merece isso. Ninguém merece! Você merece a delicadeza que o mundo oferece. Preste atenção nele, ele te mostra todos os dias, é só olhar... Dê uma chance.

  • Tudo bem não se encaixar 

Todo mundo nasce inserido num cenário de vivências. Às vezes a gente se encaixa e às vezes não. Geralmente não, na verdade. A gente se culpa, se sente só, se pergunta se o problema somos nós... Não é! A normalização de algumas ações faz com que não incomode a maioria, acabamos sendo a minoria chata que não vê sentido no vangloriamento do que faz mal ao outro, acabamos ficando mal também. Assim, eu fico feliz em não me encaixar mesmo, você também devia ficar!

  • Você é útil ~ mesmo não sendo bom em algumas coisas

Não sei quem inventou e difundiu a ideia de que devemos ser bons em tudo, e pior, ser bom naquilo que os outros querem que sejamos. A vida é nossa, o corpo é nosso, é nossa energia que está sendo gasta, então porque outra pessoa decide isso? São somos robôs com programações que devemos apenas executar. Somos feitos de carne e osso, com pensamentos, sentimentos, diferentes jeitos de olhar o mundo... Essa é a graça. Tem muita coisa a ser descoberta e você não é descartável por não ser bom em algumas delas. Ninguém é bom em tudo.

  • Toda vida merece ser amada

Existe uma categorização do que deve receber amor e o que deve ser visto como alimento. Essa foi a parte que mais me tocou no filme, porque eu sempre achei isso engraçado ~ de um jeito horrível. Criamos cães e gatos mas matamos os bois e as cabras. Se você mora em interior, como eu, você vê esses bichinhos constantemente pelas esquinas e a ideia de que alguns deles iriam morrer e outros não sempre me entristeceu. Esse filme veio para me dizer que a transição para o veganismo foi a melhor coisa que eu poderia ter decidido fazer.
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Se você ainda não viu o filme, espero que essa pequena lista de coisas lindas tenha te dado uma pontinha de vontade para ver como tudo isso se apresenta para nós. Eu amo animações por causa disso, porque elas sempre trazem uma mensagem (ou várias), até quando é divertida e fofa como O Touro Ferdinando.

*imagens: Cia dos Gifs
15.1.18

O primeiro livro de 2018 não poderia ser melhor. Eu comprei esse e outros livros em dezembro e só consegui ir buscar essa semana (na qual estou escrevendo isso aqui) porque eu preferi ir buscar na loja, no Recife, para dar uma andadinha. No dia seguinte a essa saída, comecei a ler despretensiosamente, porque eu comprei mesmo pro meu irmão, e consegui terminar de ler no mesmo dia antes de ir levar para ele ~ fica aí a dica quando for comprar um livro para presente. 

Ele é bem fininho e gostoso de ler. Foi escrito pela Adriana Carranca, uma jornalista daqui do Brasil e no livro, ela, além de contar a história de Malala, conta a história dela mesma indo em busca de informações sobre Malala na Vila do Swat, cidade natal de Malala.

Ele é todo ilustrado de um jeito que parecem colagens. E eu amo colagens. As folhas são brancas mas são tipo folha de revista, bem grossinhas.

Com uma escrita simples e daquele jeito que aproxima o leitor da história terrível que terminou bem, Adriana consegue levar a gente junto com ela para descobrir o que havia acontecido e porquê, com a pequena grande menina, que hoje já é uma mulher. E que mulher incrível e inspiradora ~ um extra é que ela nasceu no mesmo ano que eu!!!

Se você nunca ouviu falar dela, o que duvido muito, Malala é muçulmana e lutou pelo direito das meninas estudarem, pois os talibãs, que invadiram não só sua cidade, haviam tirado. Aí você pode pensar que essa história não é para crianças. Claro que é! É a história real de uma criança que lutou pela educação, quer história mais emocionante e inspiradora para contar para outra criança? 

E pode ficar tranquilx que é tudo bem levinho, justamente para o público infantil. O que não impede os mais velhos de lerem, viu., é para crianças de todas as idades. Tenho certeza que crianças e adultos conseguem tirar vários ensinamentos que essa menina tem para passar.
Tenho que admitir aqui que caiu umas lágrimas em algumas partes. Acho que é porque essa coisa de família sempre mexe comigo. O pai de Malala é professor, sempre a tratou igual aos seus outros filhos mais novos (e meninos), a levava quando ia dar discursos e sempre conversou com ela sobre política e assuntos diversos, ou seja, ele não pôs paredes ao seu redor e sim pontes que, como podem ver, foram muito bem usadas.


 Eu amei esse anexo. São fotos da própria Adriana. Não é a coisa mais linda?
Essa de vermelho e azul é a autora desse livro coletando as informações que deram origem a ele. Muito corajosa essa mulher!

Ao findar essa leitura ~ primeira do ano com louvor ~ ficamos com duas mulheres maravilhosas e corajosas para admirar.
11.1.18

Bom, pelo menos eu quis. E muito. E nada tinha a ver em como eu me via, eu não via problema em ser uma menina, até me impedirem de ser a menina que eu era.

Etiquetas, organização, estudo, serviços domésticos, ficar calada, sentar direito, desce da árvore, pulou o muro de novo?. Os dias eram assim, e eu só era uma criança. Sem medos e receios, era bem confiante, sabia o que queria. Brincar e aprender. 

Tava tudo bem, tudo bom até eu pedir um estilingue. Sei lá porque eu queria um estilingue, com certeza não iria acertar as lagartixas, eu nunca faria isso com nenhum bichinho, mas eu queria um estilingue. Meu pai disse não. Eu perguntei por quê. E ele disse que não. Eu insisti. E ele disse que era porque eu era menina. 

- Meninas não brincam com estilingue - ele disse.

- Ué, porquê? - queria entender.

- Porque não - ele sempre gostou muito dessa palavra, nunca perguntei mas suspeito que seja a preferida dele. Mas acho que era só para mim. 

Quado meu irmão nasceu e cresceu e ainda era mais novo do que eu quando comparado a mim na época do estilingue, ele nem pensava em estilingue, meu pai comprou um para ele. Na feira. Que fica em cima de uma ladeira enorme. Ele foi lá comprar um estilingue pro meu irmão que nem havia pedido nada do tipo. Nem teve a escolha de dizer um "não", ele já foi dizendo "sim" sem precisar de escolhas. Mas pro meu irmão. Não para mim.

Eu sou uma ótima companhia, tenho certeza, pois meu pai sempre me chamava para sair e eu adorava ir. Ele me levava na bicicleta pela BR, pelo caminho a gente tomava água de coco que ele comprava. Ele também gostava de andar para vários outros lugares e me chamava, e se não chamasse eu me oferecia. Até que chegou o dia que ele não me chamou mais. Chamou meu irmão, que não queria ir e até chorava às vezes para ficar em casa. Disse que eu tinha que ficar em casa para arrumá-la. Tinha que aprender. Mesmo eu pedindo ele não deixava mais eu ir.

Hoje meu irmão é mais velho que eu quando comparado a mim naquela época e o máximo que ele faz dentro de casa é levar a cachorra para fazer xixi. Não tínhamos cachorros quando eu era mais nova, mas tinha, e continua tendo, toda aquela sujeira e bagunça e que devia ter que aprender a limpar e arrumar. Mas só eu, não ele.

Nunca pratiquei esportes ou fui levada pelos meus pais para fazer qualquer coisa prazerosa e que exigia desenvolver o meu físico. Meu pai só queria que eu estudasse e arrumasse a casa. Ele tinha, e talvez ainda tenha, uma fixação pela arrumação da casa. Mas só comigo. Ou minha mãe. Já meu irmão sempre jogou bola, desde que ele era pequeno e só sabia andar tinha uma bola bem grande para ele chutar. Eu tinha uma bola bem pequena que não sei de onde veio que eu brincava com meu tio. Uma vez até arranquei um corinho do dedo chutando o chão. Depois que ficou bom eu voltei a brincar de novo. Não sei onde a bola foi parar. Ela era bem velha.

Meu irmão participou de escolinhas. Uma vez ele ia para duas na semana. Meu pai levava e trazia. Enquanto isso eu estava em casa ou na escola. Estudando e arrumando. Estudando e arrumando.

Sempre fui boa aluna, nunca reprovei e só fiquei em recuperação uma vez por causa de um décimo. Chorei muito mas rapidinho eu passei e nunca mais repeti esse erro. É ruim demais recuperação. Quando eu pedia ao meu pai para praticar esportes ou fazer algo, como ballet e artes marciais, ele dizia que eu precisava estudar para conseguir o que eu queria, e eu estudava. Meu irmão nunca precisou estudar para conseguir essas coisas, ele nunca gostou de estudar,. Na verdade, já ficou em recuperação várias vezes e sempre gostou de inventar desculpas para não ir para a aula. Mas sempre fez esporte. 

Eu não entendia porque eu estudava e nada mudava, nunca mudou, enquanto eu estava crescendo e só meu irmão podia fazer coisas mais interessantes.

Fui a uma aula de ballet mas só uma mesmo. Foi muito legal, não sei porque não me levaram mais vezes. E toda vez que eu pedi para fazer alguma arte marcial meu pai dava uma desculpa.

- Não sei onde ensinam - então eu explicava onde.

- É muito caro - então eu achava um lugar que era só vinte e cinco reais por mês.

- Só tem menino, isso não é coisa de menina - ele não conseguiu encontrar outra desculpa, eu acho.

- É mesmo, painho, porque eu sempre joguei bola, enquanto Bruna nunca pôde fazer esporte? - meu irmão perguntou uma vez. Não lembro o que ele respondeu. Nada nunca mudou porque eu era uma menina

Eu só tenho que estudar e arrumar, estudar e arrumar. 

Minha coragem e confiança foi se esvaindo. Sinto que perdi um pouco (muito?) de toda aquela vivacidade que eu tinha quando menina. 

Hoje sou mulher. Uma mulher à sombra do que poderia ter sido. Com tantas amarras colocadas que nem mesmo em outra casa, distante de tudo aquilo, consigo me desvencilhar dos "nãos" impostos no passado. Hoje sou eu que me prendo e me cerco: Não posso. Não consigo. Não tá bom o suficiente. Deu errado, isso não é para mim. Não tá arrumado como deveria. A ansiedade domina e então... tudo para, o mundo se fecha ao meu redor e eu só consigo ficar pensando pensando pensando sempre pensando em como não faço nada direito, nada bom. Menina ruim.

Eu só queria ter sido menino.
4.1.18

Li esse livro em apenas alguns minutos. Além de ele ser pequeno e ter poucas páginas, a escrita da Chimamanda é muito envolvente, principalmente se você se identifica (impossível não se identificar se você é mulher, e se você for homem não tem como não ter presenciado nada que ela fala).

Sejamos Todos Feministas se trata de uma palestra escrita que a Chimamanda deu no TEDxEuston (conferência anual com foco na África) em 2012. Fiquei um pouco apreensiva achando que talvez fosse bem cansativo por ser um discurso mas é impossível se cansar lendo essa mulher maravilhosa. Ela trás vivências próprias e de conhecidas, além de mostrar também a posição de alguns homens que fazem/faziam parte da vida dela com relação ao feminismo e às mulheres em geral.


Ela contesta abertamente e sem rodeios a cultura e os costumes conservadores que, mesmo sendo obviamente nocivo a uma grande parte da população, insiste em ser adorado e citado como motivo  óbvio, como se assim pudesse ser apoiado, para isso acontecer.

Como o livro em si é pequeno fiquei com medo que as letras viessem também muito pequenas, mas não, a diagramação é ótima, o que facilita ainda mais a leitura. Vem também textos de apoio, com direito a um resumo sobre algumas das outras obras da autora e sobre sua própria vida.


Enfim, o livro fala por si. Ele é simples e ao mesmo tempo complexo. Mesmo você sendo mulher, ainda vai se impressionar e parar para refletir sobre o que está diante dos seus olhos. A Chimamanda é uma mulher negra, o que deixou a leitura ainda mais interessante, já que é um ponto de vista diferente do meu de ser mulher na sociedade que a gente vive. Recomendo fortemente!

Já separei outros livros dessa mulher incrível para ler nesse ano de 2018, ela também já escreveu romances, espero poder comprar logo, porque gostar eu já sei que vai acontecer.

Já leu esse ou outro livro dela? Tem vontade de ler?