Ninguém escolhe

Arte: Xaviera López
Eu não pedi para ser mulher, sou
Eu não pedi para nascer, nasci
Eu não pedi para sentir frio, senti
Eu não pedi para ter fome e chorar, foi instantâneo 
Eu não pedi minha cor de pele, nem mesmo sabia o que isso poderia significar para algumas pessoas
Não pedi minha altura, nem o mínimo e nem onde eu poderia chegar
Não pude pedir onde eu iria nascer, eu só queria um lar, antes mesmo de saber o que era querer
Não pedi roupas, nem sabia que precisaria de algo para cobrir meu corpo
Ora, nem pedi um corpo, nem mesmo sabia o que era

Fui feita

Apenas feita

E tudo que sei é que estou aqui agora

Ainda sem pedir muita coisa que me acontece

Ainda sem pedir para ser quem eu sou, mas julgada por apenas ser

Faço as escolhas que posso;
Posso não ferir alguém, não o faço
Posso não magoar, farei de tudo para não fazê-lo
Posso não julgar, não julgo
Posso não ter preconceito, mesmo que onde eu viva o "comum" seja tê-lo, mesmo que eu tenha sido ensinada a isso, escolho antes sentir, observar, e então me desintoxicar disso

Pois,

Eu não escolhi amar e amo
Amo antes de perceber o gênero, que não escolheu
A cor, que não escolheu
Onde nasceu, que não escolheu
O corpo, que não escolheu
E a roupa, que pode ser tirada

6 comentários:

  1. Lindo poema, adorei!! Bjs

    www.mayaravieira.com.br

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  2. Maravilhoso Bruna , algumas coisas somos ,e outras escolhemos mesmo , linda representação!
    Beijos

    Www.unhasclassicasemodernas.blogspot.com.br

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  3. Que coisa mais linda, é o tipo de post que faz a gente refletir, amei muito, bjo.

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    1. Obrigada, Gabi, fico muito feliz que tenha gostado <3

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